© Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O laboratório farmacêutico Recordati anunciou esta semana a submissão do medicamento betadinutuximabe, comercialmente conhecido como Qarziba, à avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). O remédio, destinado ao tratamento do neuroblastoma, um dos cânceres infantis mais comuns, poderá ser incorporado ao sistema público de saúde, proporcionando acesso a crianças que enfrentam esse tipo de tumor maligno.

Caso aprovado pela Conitec, o medicamento passará a integrar o rol de tratamentos disponíveis no SUS, representando um alívio para famílias que necessitam do Qarziba, notoriamente de alto custo. A comissão terá um prazo de 180 dias, podendo ser prorrogado por mais 90 dias, para realizar a análise da proposta.

Recentemente, a história de Pedro, um menino de 5 anos que sucumbiu ao neuroblastoma em 2022, trouxe visibilidade à doença. O neuroblastoma é o terceiro tipo mais comum de câncer infantil, representando entre 8% e 10% de todos os casos.

Estatísticas e Indicações do Medicamento

Estima-se que ocorram 387 novos casos de neuroblastoma por ano no Brasil, sendo pelo menos metade classificada como neuroblastoma de alto risco (HRNB). O laboratório reafirmou seu compromisso em disponibilizar a imunoterapia e destacou que agências internacionais já recomendam o Qarziba para tratamento de neuroblastoma de alto risco.

O medicamento, indicado para pacientes a partir de 12 meses, é destinado àqueles que já passaram por quimioterapia de indução, alcançando pelo menos uma resposta parcial. Além disso, é recomendado para pacientes com histórico de recidiva ou neuroblastoma refratário, com ou sem doença residual.

Avanços e Dificuldades no Tratamento

Em meio a avanços científicos, a oncologista Arissa Ikeda, do Instituto Nacional do Câncer, destacou que houve um esforço significativo na última década para a melhoria dos tratamentos contra o neuroblastoma. O Qarziba, uma imunoterapia anti-GD2, demonstrou melhorar a sobrevida e reduzir o risco de recidiva.

Entretanto, muitas famílias enfrentam dificuldades para obter acesso a medicamentos de alto custo. A necessidade de recorrer a vaquinhas online para arrecadar recursos é comum, dada a demora nos processos de solicitação a planos de saúde ou à rede pública por meio da Justiça.

Avaliação do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde afirmou, na semana passada, que acompanha com interesse as pesquisas e avanços tecnológicos para tratamentos incorporáveis ao SUS. Até o momento, nenhum novo medicamento para o tratamento do neuroblastoma havia sido solicitado ao SUS, mas o ministério está preparado para iniciar a avaliação assim que o laboratório solicitar a incorporação. O governo busca oferecer esperança a crianças e famílias que enfrentam o desafio do neuroblastoma, promovendo acesso equitativo a tratamentos inovadores.